22 dezembro 2006

Algo que me lembrei

Há uma semana, mais ou menos, fui ao cinema ver o filme The Holiday, ou na bela tradução portuguesa, O amor não tem férias. Em poucas palavras, é um filme que fala sobre os sinuosos caminhos do amor, duas mulheres, uma em Inglaterra e outra em Los Angeles vêem-se em situações semelhantes: problemas com o sexo masculino. Íris (Kate Winslet) está apaixonada por um homem que estás prestes a casar com outra mulher e Amanda (Cameron Diaz) descobre que o homem com quem vive está a trai-la. Vê se logo que esta história foi escrita por uma mulher, que sabe, que alguns homens são uns grandes porcos ou leitãozinhos se eu quiser ser mais cutxicutxi e menos ofensiva (o meu pedido de desculpa aos que não o são)….Sem nunca se terem conhecido, estas duas mulheres decidem trocar de casas e de cidades por uns dias. No final, acabam por descobrir que as melhores viagens são aquelas em que se deixa todo o “passado” para trás. Foram 138 minutos de filme que passaram rápido, o amor, algo tão fácil e tão difícil. Houve uma cena, além de muitas outras, que adorei. A Íris estava a jantar e a falar com um velhote que tinha sido um argumentista famoso de Hollywood, o Arthur (Eli Wallach), sobre histórias de amor. Estavam a falar de histórias de amor como se de cenas de cinema se tratassem. Numa história de amor de um filme existem actores principais e actores secundários, nas nossas histórias de amor temos de ser os protagonistas, os actores principais, porque somos nós que desenrolamos a nossa história. Eu fiquei a pensar sobre isto, será que muitas vezes não tenho desvalorizado a minha personagem e sem querer, passo a ser a actriz secundária da minha própria história? Nãooooooooo…Eu quero ser a actriz principal da minha vida, da minha história de amor.

O dia de hoje

Hoje fui à minha médica, para ela me passar uns medicamentos para a constipação, dores de garganta e tal, só para ir prevenida para o frio. Sabem, gosto mesmo da minha médica, já lá vou desde os 12 anos e ela é sempre muito querida, além disso, sou fiel à homeopatia. Bem, enquanto estava na sala de espera (à espera, sim, porque passo lá horas sempre que vou à consulta), estava a ver (não a ler) as revistas que lá estavam (e tive tempo de ver quase todas), quando vi na Blue Travel número 15 de Agosto/Setembro de 2004 (portanto, uma revista recente), uma frase que me chamou a atenção e reparam como é um incentivo à minha aventura:
Quantos dias tem a vida? Por quanto tempo vamos adiar o sonho de partir para essa viagem diferente? A viagem da verdadeira descoberta, a viagem que nos deixa mais perto de nós próprios, dos outros, de tudo o que queremos sentir, da verdadeira libertação e da simples brisa de Verão...
Esqueçam a parte da brisa de Verão, devia ser mais da brisa do Inverno ou da neve a cair, mas isto estava numa página que falava sobre uma viagem para Moçambique ou ilhas Maurícias, uma coisa assim, já não me lembro.

21 dezembro 2006

Surpresa ao abrir o jornal

O que encontrei ao fim do dia ao abrir o jornal...



O meu professor das rastas, vizinho do Báltico e AMIGO, caçado pelo Jornal de Noticias a ver livros na feira do livro do Porto. Granda Luís.

19 dezembro 2006

Mais respostas


O meu coordenador/a na Lituânia o Sr. ou Sra. Nerijus (não consigo perceber pelo nome), já me enviou um e-mail com algumas respostas às minhas dúvidas. Então é assim:
  1. O Sr./Sra. Nerijus vai-me esperar ao aeroporto e levar-me até ao meu belo apartamento. Ainda não sei com quem vou viver. A minha organização de acolhimento na Lituânia, a DEINETA, está a cooperar com outra organização de Vilnius e são eles que tratam do apartamento. Apenas sei, que em Fevereiro há a possibilidade de mudar de apartamento, para viver com voluntários apenas da minha organização.
  2. O subsídio de alimentação é 200 lt. (58 euros) por mês. Irei receber este dinheiro juntamente com o pocket money. Digam-me que as necessidades básicas na Lituânia são muito baratas, mas mesmo muito, porque se eu dividir 58 euros por 30 dias, dá uma média de 1.93 euros por dia para me alimentar, ou seja, pensando em três refeições básicas (pequeno-almoço, almoço e jantar), já dispensando o lanche, dá 0.64 euros por refeição. Estou a fazer bem as contas não estou? Bem que estranho. Ou querem que passe fome ou a vida é mesmo muito barata. Com 0.64 euros em Portugal bebo um iogurte líquido ou como uma maçã….Agora é que vou aprender a ser poupadinha.
  3. O apartamento não vai ser longe da Leituvos AIDS Centras, de qualquer forma, vão me dar um passe mensal, para eu andar a vaguear pela cidade.

    Bem, por enquanto não há mais novidades. Mas tenho-vos a dizer que estou a adorar esta descoberta constante.

18 dezembro 2006

Mais novidades sobre o projecto

Já soube mais algumas novidades sobre o projecto, mas mesmo assim, as dúvidas ainda são muitas:

  1. Vou viver numa casa partilhada com outros voluntários, mas tenho um quarto só para mim...(Quantos são os voluntários? De que nacionalidades?);
  2. Vou receber um subsídio de alimentação, porque eu não sou fácil de alimentar (Quantos Euros por mês?). Nem sei quais as comidas típicas da Lituânia, mas cheira-me a muita batata e manteiga;
  3. Vou trabalhar no Departamento Educativo do Lietuvos AIDS Centras (Lithuanian Aids Center), uma organização governamental que faz parte do Ministério da Saúde da Lituânia (A associação fica no centro ou nos subúrbios da cidade?).
  4. O trabalho que vou desenvolver poderá ser em qualquer uma das tarefas que o Lietuvos AIDS Centras realiza. No entanto, o meu trabalho está relacionado com a parte informativa da problemática do VIH/SIDA. As tarefas incluem a organização e condução de uma equipa de voluntários em várias acções e actividades de informação (Gostava de saber como é que vou fazer isto sem dizer mais do que Bom Dia e Adeus em Lituano). Além disso, irei trabalhar num centro com um grupo de raparigas adolescentes que são consideradas como um grupo de risco. Vou fazer parte activa nas actividades extracurriculares deste centro.

Sei que vou embarcar num mundo duro, que é o da problemática do VIH/SIDA, um mundo que mal conheço, mas que infelizmente tantas pessoas conhecem. Mas é um mundo no qual não há alvos específicos, não há preferências, não há uma divisão entre lados opostos, não há homem e mulher, adolescente ou velho, rico ou pobre, países desenvolvidos ou países em progresso, há apenas um inimigo comum que é o VIH que não conhece fronteiras nem limites e ameaça todos os povos do mundo. É uma experiência…


Tenho de tratar de um certificado de saúde, mas como um médico de família tem 500000 mil utentes não sei se na data de partida ainda terei o certificado assinado, vamos lá ver.

Formação pré-partida: Da informação ao Karaoke, passando pela risota e o Moscatel de Setúbal

Oeiras, Pousada de Catalazete

Da vossa esquerda para a direita: Andreia (Espanha), Daniel (Itália), Inês (Catalunha), Ricardo (Alemanha), Rita (França), Carolina (formadora que esteve na Turquia), Rita (Luxemburgo), Clara (formadora que esteve em França), Joana (Grécia), Vânia (Alemanha), Pedro (Rep. Checa), Eu (Lituânia), Daniela (Letónia), Liliana (Estónia), Luís (Finlândia) e Sara (Turquia)
Confesso que me sentia insegura antes de ir para a formação. Coloquei perguntas como: Quem irei lá encontrar? Como serão os outros voluntários? Será que sou a única com dúvidas em relação ao projecto, à cidade? Será algo formal?

A formação foi uma loucura, muito boa, mas mesmo muito…Três dias de muito movimento, muita informação e esclarecimento. Aprendi muito sobre ser voluntária e foi excelente partilhar experiências. Estou feliz (isto pode parecer egoísta, mas não é) pois, apercebi-me que afinal não sou a única voluntária no mundo com dúvidas e receios. Todos partilhamos os mesmos receios…”a temperatura”, “o projecto não ser o que esperamos”, “a diferença da língua e a capacidade de nos fazermos compreender”, “ o não nos darmos com as pessoas”… Foi muito bom partilhar e tentar arranjar alternativas a estes receios em colectivo. Mas o melhor de toda esta formação foi o ambiente envolvente, que me fez sentir mais confiante e mais decidida. Pode parecer imoderado mas sinto que em três dias fiz AMIGOS

Ninguém me disse: - Vais para a Lituânia? Com um ar de que parece que existem culturas que são desprezíveis e lugares que não interessam a ninguém. Todos partilhamos as cidades para onde íamos, sem discriminação ou favoritismos…Foi tão bom este “apoio” mesmo que inconsciente…Foram três dias super construtivos, numa troca de experiências, desassossegos e muita risota, karaoke e Moscatel de Setubal à mistura.

Ah! Aprendi as coisas mas surpreendentes, até aprendi a fazer rastas no cabelo (Obrigada Luís). Obrigada AMIGOS por estes dias maravilhosos…

Acabamos com uns planos futuros. Vizinhos a viagem está combinada, até Tallin com destino à Rússia. Não é para esquecer! Temos muito para viajar...

Pergunto-me...Porquê?

Porquê sair de Portugal? Porquê ir para tão longe de casa? Porquê afastar-me fisicamente da família e dos amigos? Porquê esta aventura? Porquê este projecto? Porquês que nunca mais acabam…Porquê?

Porquê? Num mundo em que a competitividade e o individualismo ganham cada vez maior importância, a ambição da maioria das pessoas, a nível profissional e material tornou-se ter um emprego estável, uma casa, um carro e conseguir uns juros baixos de um empréstimo de 40 anos. Sem dúvida que consigo entender esta ambição, mas ao mesmo tempo esta visão torna-se arrepiante, talvez não o fosse, se me torna-se em Hebe (deusa da juventude da Mitologia Grega). Confesso, que a minha ambição de vida a nível profissional não está claramente definida, mas participar numa acção de voluntariado sempre foi uma delas.

Porquê? Não sei…Sinto que a minha vida precisa de desafios, sinto a necessidade de agir na defesa de uma causa, de me voltar para o colectivo e tentar melhorar um bocadinho o mundo de que faço parte. Eu sei que o sonho de mudar o mundo é eloquente, mas talvez seja, uma nova espécie de sonhadora, uma daquelas que não odeia enfrentar a realidade da vida, mas que quer enfrentar a vida e contribuir para um mundo melhor. Acredito que ao ajudar uma, duas, três ou mais pessoas posso contribuir para essa mudança.

Eu sei que este trabalho não se vai revelar materialmente ou monetariamente, mas não tenho dúvidas de que irá contribuir para uma maior e melhor compreensão de mim e deste mundo que me rodeia. Será que o dinheiro de um ordenado ao fim do mês conseguiria fazer isto?

Eu sinto que tenho de viver o dia de hoje e talvez seja esta a explicação.

17 dezembro 2006

Uma reflexão: Destino

Não é fácil falar sobre destino, há quem defenda que o destino está traçado e há quem defenda que somos nós que traçamos o nosso próprio destino. Será que a nossa vida é um quadro já pintado, é um esboço e nós apenas lhe damos cor ou simplesmente é uma folha em branco?

Sinceramente, por vezes sinto que o meu destino está traçado e faça o que fizer nada poderá mudá-lo, é como se, uma força poderosa preestabelecesse o meu próprio caminho e ao recorrer a uma qualquer bruxa, xamã ou vidente, ela sem hesitar leria o meu futuro, com magia, búzios ou bola de cristal.

Outras vezes, e na maioria dos casos, sinto que sou eu que traço o meu próprio destino, sou eu que faço escolhas e vou desenhando uma linha como se pintasse um quadro de uma forma abstracta, mas quando erro no traçar do lápis pela tela e já nenhuma borracha o consegue apagar, atribuo esse erro ao destino previamente traçado.

Porquê? Porque não penso que fui eu que fiz uma escolha mal? A vida coloca-nos perante tantas escolhas… Como sabemos se fizemos a escolha correcta ou não? Será que a correcta é a que nos traz mais felicidade? Mas não será, muitas vezes, essa felicidade tão a curto prazo que seria preferível ter feito outra escolha?

Pois bem, a escolha de ir para a Lituânia foi algo que nunca tinha pensado. Havia tantos países pelos quais poderia ter escolhido, será que o meu destino está traçado para ir viver na Lituânia? Ou fui eu que o tracei dessa forma ao excluir todas as outras opções?

Não sei, a única coisa que sei, é que na vida já fiz muitas escolhas certas, muitas que pensava que eram erradas e me surpreenderam pela positiva e muitas erradas que me acarretaram muita angústia e sofrimento. E esta escolha o que será? Uma escolha certa ou errada?

Como um simples e-mail pode dar uma volta de 360 graus na nossa vida…

Como começar…Por passos:
  1. Terminei o Curso de Psicologia Aplicada depois de 5 anos;
  2. Alta confusão a nível profissional: O que fazer a seguir?
    · Mestrado?
    · Estágio profissional?
    · Voluntariado?
    Ø Mas onde?
    Ø África?
    Ø Voluntariado Europeu?
    · Que país? Que projecto?
    · Lituânia?

    Pois é, um simples e-mail pode mudar toda a nossa vida. Recebi um e-mail da Agência Nacional Portuguesa a dizer OK. Passo a explicar: eu inscrevi-me pela APAI (Associação Portuguesa de Aprendizagem Intercultural) para fazer Serviço Voluntário Europeu e este OK quer dizer: VOU MESMO PARA A LITUÂNIA…Bem, que turbilhão de sentimentos e emoções em tão poucos segundos, tanta felicidade, misturada com tantas incertezas, tantos receios…Que confusão…Estou precisamente a menos de um mês de ir para 3124 km, ou melhor, 1941 milhas a leste de casa.

    O Báltico espera-me por um ano. É sem dúvida a mais megalómana aventura que me estou a projectar desde que me conheço. Mais precisamente, Vilnius espera-me.


O que sei da cidade?
Nada, ou melhor, o pouco que tenho visto na Internet. Sei que:

  1. Vilnius é a capital da Lituânia, com cerca de 600 000 habitantes.
  2. a cidade é bastante bonita pelas fotografias que tenho visto. O seu Centro Histórico é datado do século XVI e é considerado Património da Humanidade pela UNESCO desde 1994.
  3. é o maior centro administrativo da Lituânia, com os mais importantes centros políticos, económicos e sociais.
  4. vou ter muito frio, as temperaturas no Inverno podem chegar aos -25º
  5. vou estar longe do mar (a 312 quilómetros do Mar Báltico)
  6. a cidade tem um ambiente universitário e com várias etnias (lituanos, polacos, russos, bielorussos e outras nacionalidades)
  7. a língua oficial é o Lituano
  8. irá ser a Capital Europeia da Cultura em 2009
  9. tem a rua mais estreita, a Skape, com 1.98 de largura
  10. pouco mais sei por enquanto

Vista da Catedral de Vilnius

O irei escrever neste espaço?

Crónica: Na maioria dos casos, é um texto curto em que o cronista vai "dialogando" com o leitor e expondo a sua visão pessoal sobre os acontecimentos que o cercam.

Diário de Bordo:
é um registo, mais ou menos regular, dos dados da navegação de um determinado navio, considerados como importantes para a boa condução da navegação e para informação posterior sobre a viagem

Neste espaço não sei se vou escrever várias crónicas, fazer um diário de bordo ou uma mescla de ambos. Apenas sei, que vou escrever sobre todo um pouco e tentar colorir o que escrevo com o tom da minha afectividade, tornando este espaço, cheio de vivências muito próprias e pessoais, mostrando: o que sou, o que penso, o que sinto e o que estou a viver.

Ao tentar projectar a minha realidade naqueles que o lêem, espero conseguir tornar este espaço um veículo entre mim e vocês – família e amigos.

Quando quiserem saber de mim, já sabem, é só dar um pulinho a este blog, ler as traquinices que ando a armar, dar um olhinho nas fotos que espero que vos ponha um piquinho de inveja, deixar um comentário caso vos apeteça e não ligar aos erros gramaticais.

Eu sei que as saudades daqueles que amo e que mudaram a minha vida irão sem duvida aparecer e ser muito fortes.